Que 2014 seja leve compartilhado

Em tempos de selfie, em tempos em que todo mundo só fica falando de si no face, nos seus blogues (inclusive eu neste) e olhando para as telas de seus celulares, encontrar que olhe ao redor e escolha falar do outro, e falar bem, é de se admirar. Essa é a proposta do Jamir há alguns anos em seu blog O Colecionador de Histórias. Ali, ele fala das pessoas que passaram por sua vida e já foram, das que chegaram e estão; e das impressões que elas deixaram nele com o jeito e as histórias de vida delas. É um momento dele pra refletir sobre isso, registrar e homenagear.

No meu aniversário, em novembro, ele escreveu sobre mim, exagerada e generosamente. Sou acostumada a escrever e não a ser personagem da escrita de alguém, fiquem bem sem jeito e provavelmente nem agradeci a gentileza como deveria.

Nessa semana, inspirada em um tema/desejo sobre o qual o Jamir vem falando e postando muito recentemente — leveza (é assim que ele quer viver esse ano, depois de um 2013 bem pesado) — me deu vontade de escutar uma música da Marisa Monte sobre isso e emanar pra ele, pra todo mundo e pra vida um 2014 leve.

Cordas vocais for dummies

pregas vocais_verdades_elaine carvalho

Falando de partes íntimas, nessa data tão propícia, o Dia do Sexo (6/9), apresento imagens inéditas … das minhas cordas vocais.  Os especialistas preferem chamá-las de “pregas vocais”, o que faz uma absurda diferença no imaginário popular. Eu, na mais completa ignorância sobre o funcionamento delas, as imaginava verticais, e várias, como cipós se mexendo dentro da laringe. Mas elas são pregas mesmo, semelhantes às de cortina, de calças. E são horizontais, o que, de novo, faz todo o sentido para que saia o som, decorrente do movimento delas de se juntarem e se afastarem, como que batendo palmas.

Tomei um susto na primeira vez que vi minhas pregas. Achei estranhas. Sentada num daqueles bancos altos que te deixam em evidência dentro do ônibus, abri as imagens e as fechei imediatamente, olhando para os lados constrangida. Pensei que tinham me dado por engano o exame ginecológico de algum paciente.

Agora já me acostumei com elas como são. Na imagem, com aquela saliva em volta, elas ficam suculentas.  Fechadas, parecem um gomo de jaca. Ao ver o exame, o otorrinolaringologista me disse: “são lindas”.

Sorri meio tímida: “obrigada”.

Ninguém gosta de perder o balão, mas tem hora que ele voa. E aí?

Quem diria, mergulhei num monte de balões infláveis. Sensação inédita, dessas coisas lúdicas que só acontecem com crianças. É vagamente semelhante a estar numa piscina. Vagamente, porque, para ter a sensação de mergulhar numa piscina de bexigas, só mesmo mergulhando numa. Elas te abraçam, são fofinhas e, ao mesmo tempo, escorregadias. O corpo vai deslizando, se contorcendo sem você saber onde vai chegar. Não raro, vai para o chão. Fim do percurso. Se quiser voltar às bexigas, tem que se ajeitar de novo, procurar uma nova posição, um recomeço. Foi uma experiência que eu não havia previsto e que terminou bem. Com saldo positivo ou negativo, o fato é que imprevistos acontecem.

O convite para se jogar nas bexigas veio da diretora da Pulsar Cia. de Dança, Thereza Taquechel. O grupo carioca, que tem entre seus integrantes bailarinos cadeirantes, apresentou o espetáculo “Indefinidamente Indivisível”, nos dias 3 e 4 de agosto, em São Paulo, na Sala Crisantempo. Ao final, eles se sentaram no chão e abriram espaço para um bate-papo com a plateia.

Imagem

Imagem do folder 2013 de Indefinidamente Indivisível

Lidar com o imprevisível – Thereza contou que as bexigas eram usadas bem antes da concepção do espetáculo, nos treinos da companhia, para estimular a sensibilidade pelo contato com a pele. Daí surgiu a ideia de usá-las num trabalho que trata da imprevisibilidade do tempo e do movimento. A bailarina Beth Caetano falou da tendência das pessoas a se desestabilizarem quando algo sai do previsto. “Normalmente, se a bexiga estoura ou escapa, a pessoa também escapa de si, sai do prumo.”

Na apresentação do dia anterior, o bailarino Rogério Andreolli, que é cofundador da companhia, caiu da cadeira de rodas, algo que nunca havia acontecido antes, e o grupo lidou com essa imprevisibilidade na dança, sem parar ou perder o norte do espetáculo. É o que todos nós deveríamos tentar fazer ao lidar com o imprevisível, procurar a solução de maneira mais tranquila e centrada, sem pânico.

pulsar_danca_Indefinidamente Indivisível_Foto4 Jaime Acioli
Googando, achei uma foto mais antiga de divulgação do espetáculo. Ela mostra a parede de balões, que, ao ser desmontada, divertiu a plateia e os bailarinos  

Voltei com a coca-cola e o cigarro

Entro novamente no blog depois de tantos meses de inatividade. Não cheguei a avisá-lo (nem a ninguém) que sumiria. Fiz uma tentativa, mas quando comecei a escrever o post o assunto virou outro. Então, fui buscar uma coca-cola e um maço de cigarros e não apareci mais.

Sabia que por algum tempo não teria cabeça para o blog. Várias vezes pensei em Continuar lendo

“Feliz” Dia das Mulheres?

eu colocaria a foto de menina brincando de carrinho. Mas quem disse que achei no stock.xchng?

Eu colocaria a foto de uma menina brincando de carrinho. Mas quem disse que achei no banco de imagem? Arquivo: Stock xchng

Quando eu era criança morria de vontade de ter meus próprios carrinhos pra brincar, em vez de ter que brincar com os dos meus primos eventualmente.  Mas nunca cheguei  ao menos a pedir aos meus pais, tinha vergonha. Afinal, carrinho era coisa de menino. Talvez eles argumentassem isso, talvez achassem graça e comprassem. Se não fossem eles, outros certamente estranhariam, primos, amigos, familiares – e eu, criança, não saberia como me defender. Ao contrário, provavelmente teria vergonha do meu próprio gosto por carrinhos. Não sei quantos anos eu tinha nessa época, uns cinco acho. Mas como esse tipo de preconceito e repressão entra cedo dentro da gente, como vai sendo introjetado por uma criança com mensagens às vezes subliminares, às vezes escancaradas? Quantos meninos não deviam ter vontade de brincar de boneca ou de dançar ballet, mas reprimiram esse desejo?  

Há 20 anos, quando meus pais se separaram, minha mãe perdeu metade das amigas. Meu pai bem que avisou que isso ocorreria. Preconceito por parte das próprias mulheres, medo de que uma divorciada não conseguisse ficar sozinha e fosse atrás marido alheio. Eu era adolescente quando meu próprio pai me disse que nenhum menino ia querer me namorar por ser filha de pais separados. Sorte minha que a sociedade estava mudando e não passei por isso.

Hoje, separação não é mais esse tabu, há pais e escolas que se preocupam em não fazer diferenciação de gênero em relação a brinquedo, roupas e meninas. Mas salários ainda não estão equiparados, há violência doméstica aos montes e ainda somos obrigadas a ouvir de muitos homens na rua coisas desagradáveis, de baixo calão. Fico pensando por que eles se acham no direito de chegar para uma desconhecida (ou conhecida, se tivessem coragem) e dizer tanta coisa de baixo calão. Uma vez, uma amiga minha retrucou a um desses insultos e o cara deu ré no carro pra tirar satisfação. Com medo, ela teve que se calar.

Essas questões têm de ser discutidas sempre e é bom que há um dia específico para que elas venham oficialmente à tona. Mas não me venham desejar “Feliz” Dia das Mulheres.  

O que peço para esse dia, o Sakamoto diz aqui: No Dia da Mulher, desejo uma sociedade menos idiota

 

 

Abelhinhas órfãs

Não raro recorro ao dicionário não pra procurar um significado que desconheço, mas pra checar se uma palavra que já sei, de fato, é o que penso ser, e também pra saber se ela agrega outros significados, conotações, sinônimos. Achando que, nesse caso, a curiosidade beirava o exagero e chegava a ser ridícula, fui buscar o significado de “órfã”. Continuar lendo

A macaxeira inesquecível da Noca

casa da noca_macaxeira1

Para quem vai a Olinda (PE) neste carnaval ou em qualquer época, indico almoçar na Casa de Noca, onde tem “a melhor macaxeira do mundo”.

Pra mim, tudo é especial ali, inclusive a Noca. Come-se maravilhosamente bem, por um preço justo e dá pra desfrutar daqueles momentos simples que acabam sendo um dos melhores da vida. A impressão que dá é que ela abriu um restaurante para oferecer o que sabe cozinhar bem, sem a pretensão de estar entre os melhores, de ser pop, de fazer algo incrível, mas faz.

A Casa fica numa rua escondida, na parte alta de Olinda. É indicada em alguns guias (foi assim que eu conheci, no Viajar Bem e Barato, da Quatro Rodas). Pelo jeito, é um lugar que povo de lá faz questão de levar os amigos que visitam a cidade, como é o caso de um mestre-bonequeiro que conheci.

Não fosse a faixa na calçada, o restaurante passaria batido, pois não é exposto, tem que descer uma escadinha de cimento. Lá embaixo, vê-se mesas num quintal.

Quando cheguei, não havia clientes, uma mulher limpava as mesas. “Está fechado?”, perguntei. “Não, pode sentar”. Ela veio com o cardápio, onde tinha algumas porções e um único prato: carne de sol com queijo coalho e macaxeira, mais conhecida em SP como mandioca. Por 40 reais, o prato serve duas pessoas muito bem, valor de outubro/2012. E não cobram 10%!

Ao final, perguntei à mulher quem cozinhava, ela mesma, era a Noca. Perguntei como fazia para a macaxeira ficar tão cremosa, parecendo um purê, pois eu nunca havia comido uma igual. “Eu cozinho normalmente. É a qualidade da macaxeira que é boa”, respondeu humildemente.

Segundo ela, a ideia de colocar a faixa denominando “a melhor macaxeira do mundo” fora do marido. Ela ficou reticente: – “E tu lá conhece o mundo, homem?” – “Eu não, mas o povo que vem aqui conhece, e disse que é.”

Eu também não conheço o mundo, mas acho que o povo e o marido estão certos!

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Rua Bertioga, 243, Olinda

casa da noca_cardapio

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Um papo sobre unicórnios e mudanças

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Minha última viagem foi muito de repensar a vida. Mas quando ela (a viagem) acabou, eu peguei um táxi pra me levar de João Pessoa pro aeroporto de Recife, depois de um dia de muito sol, vento na cara e risadas rodando … Continuar lendo

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Inspiração para um ano novo

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Desde que li o post A conspiração do passarinho, do blog Petit Journal de la Porte Dorèe, carrego essa história comigo. Ela faz pensar… Pra mim, outro título possível seria A inspiração do passarinho, porque acho inspiradora a história vivida … Continuar lendo

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O beijinho do ventilador

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Ventilador, produto que se encontra fácil no mercado e pelos mais variados preços, artigo básico em toda a casa, mas que a minha já estava sem há um ano.  Até que no calor escaldante da última semana, a casa um … Continuar lendo